Nos Braços do Amado

Nossos pais a meu ver são nossos “espelhos principais”, por isso, é tão marcante e decisiva a influência deles sobre nós. Ficamos amarrados a necessidade de preenchimento que vem deles, sem saber que em última escala eles são apenas “as nossas matrizes principais” – a essência de tudo que carregamos em nós e desconhecemos, e isto é o que nos faz tão ligados e dependentes deles: a ânsia (secreta) por reconhecer que tudo que esperamos deles já existe em nós. Buscamos neles a aceitação, cuidado e amor (incondicional) porque os negamos a nós próprios.  Julgamos nossos pais ferozmente (exigindo) que se redimam perante a nós por seus erros e faltas, porque simplesmente fazemos o mesmo connosco.

A maioria dos seres humanos não sabem disso e normalmente afirmam: “Mas, eu era só uma criança, merecia sem amado!” e tem razão, porém a questão (a grande questão) não é ser ou não ser merecedor e sim as crenças que nutrimos sobre este “merecimento”. Os outros sempre irão respondem as nossas crenças invariavelmente. Dento da semente já estão presentes todas as qualidades e potencialidade que irão se manifestar, é só uma questão de tempo. Uma banana não se tornou banana por causa do bom ou mau tempo, tornou-se banana porque desde sempre sua natureza era ser banana. Grande parte da humanidade não admite isso, porque não é consciente de suas crenças – não aceita que é a negação de si, o que causa todos os efeitos externos negativos, até mesmo nascer em um ambiente menos acolhedor. Não aceita que é a sua própria falta de autoaceitação, autocarinho e autoamor projetados nos outros os grandes responsáveis por tudo o que não “receberam” ou por todas as “injustiças” que sofreram. Este é um processo que se inicia muito cedo  – quando se é muito imaturo, mas parece que (para muitos) esta imaturidade se perpetua indefinidamente e os fazem crer que não sobreviverão sem ajuda ou apoio de alguém mais forte ou  sábio do que eles, porque negligenciam cronicamente suas capacidades, resistem em admitir seus dons naturais, criatividade,  beleza e bondade. Enquanto não forem investigados estes sentimentos e crenças de extrema fragilidade e incapacidade, os mesmos irão gerar fracassos, atrasos, ruturas, instabilidade e muitas outras consequências negativas. Enquanto pessoas adultas acreditarem sem questionar que são (crianças indefesas), serão realmente incapazes de gerir a própria vida, sentindo-se sempre carentes de alguém que as ajude a suprir suas necessidades mais básicas. Porém, quando conseguem “acordar” para o fato de que tudo não passa de ilusões mentais, elas iniciam a jornada  do “basta” aos pensamentos opressivos de autoacusação,  este é um grande momento, onde muitos conseguem decididamente empreender uma verdadeira busca pelo autoconhecimento, e passam a dedicar-se com todo o afinco para tornarem-se livres das armadilhas mentais, livres de crenças cerceadoras até então desconhecidas, e começam a se mover para além das fronteiras limitantes de um estado infantil condicionado.

Esta é uma decisão auspiciosa, mas que precisa ser alimentada e nutrida dia á dia para que não se perca, pois no início deste “despertar” haverá muita resistência, que é um fenômeno comum para todos que buscam sair da zona de conforto (desconfortável) de suas projeções mentais. Todos que buscam a libertação das amarras do pensamento que as condicionam negativamente, enfrentam ataques mentais ou sabotagens sutis, dos mais variados formatos. Estes desafios e dificuldades surgem para testar a força, a coragem e o desejo daquele que aceitou o convite para sair de sua cela mental, e garantidamente deseja enfrentar estas dificuldades (que são um preço justo a pagar) pela conquista da autenticidade, paz e felicidade duradoura.

É importante se manter firme, para “resistir a resistência” pois assim, passo a passo os bloqueios diminuem até a sua completa dissolução.

A resistência é como um remédio do qual nos tornamos dependentes, porém, nos faz mal e ainda sim estamos apegados a ele, por isto a luta deve ser decidida e incansável até o sucesso final. A resistência atua no sentido de perpetuar condições desagradáveis, negativas e viciosas nos mantendo presos em “filmes ilusórios” que se convertem em acontecimentos negativos reais.

Estar preso dentro desta “sala de cinema” com inúmeros pensamentos negativos (projetados o tempo todo) é uma triste condição, porém, muitos nem sequer reconhecem a existência desta “sala de cinema” dentro de suas mentes, achando suas vidas “normais” sem notar que são suas falsas imagens que as fazem sofrer e não Deus ou o destino, (como acreditam).

Muitos realmente creem que é normal sofrer, e aguardam por uma “concessão divina” para que seu sofrimento acabe. Com este tipo de crença não percebem que colaboram com a teia da resistência sobre elas.

É uma bênção, uma verdadeira bênção reconhecer este estado (ilusório) mas, bênção ainda maior é ter a coragem para empreender com passos firmes a jornada do herói, do herói que salva a si mesmo e assim torna-se capaz de ajudar o mundo de forma consistente. Pode-se chamar de uma verdadeira dádiva de Deus o nascimento do desejo de Ser Livre; o impulso de deixar todo o sofrimento para trás. Quando a resistência aparece no caminho do “guerreiro de si mesmo” é sinal de que ele está no caminho certo.

O mais importante é não esmorecer, não permitir acusações mentais, que visam inibir, desviar e tirar a força do guerreiro, esta é uma das estratégias mais engenhosas da resistência mental: minar a força daqueles que lutam para ir além usando todo tipo de  acusações e calúnias, e este  é o ponto onde muitos tropeçam, pois acreditam nestas “vozes” e desistem da jornada, desistem i(infelizmente) de si mesmos.

A chave é a observação sem rotulação. É ver sem julgar – só assim, a consciência torna-se “livre” para fazer seu “trabalho” por nós.  Este é o instrumento mais poderoso nesta “guerra”: a Luz da Consciência, a única capaz de diluir todas estas barreiras imaginárias.

O autoconhecimento é nosso grande companheiro nesta batalha, ele é quem irá nos fortalecer quando a resistência tentar nos enfraquecer nos fazendo crer que devemos desistir da liberdade.

O autoconhecimento é o nosso grande salvador, o grande guia em nosso retorno de “volta para casa”.

No começo tudo irá parecer difícil, assim como a verdade parecerá perigosa, mas para aquele que luta pela liberdade um pacto está selado: um pacto sagrado com o “Divino” que habita dentro de si, um pacto invisível que o irá abençoar a cada etapa da jornada. O herói não tem nada a temer, basta apenas confiar “naquilo” que o acordou para ver a Luz da sua Verdadeira Identidade. Se permitir se deixar guiar com fé inquebrável irá invariavelmente encontrar a felicidade, a liberdade e paz duradoura tão almejadas. Ele irá descansar no colo de Deus.

Ele irá finalmente se deleitar nos braços amorosos e seguros do “Amado”.

Poonam

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