Cura Arquetípica agora é Teatro da Consciência

Por que a Cura Arquetípica passou a se chamar Teatro da Consciência?

Na época em que o primeiro pilar da Cura Arquetípica foi criado, o enfoque principal foi combinar o conhecimento dos Tipos Psicológicos com o da “sincronicidade” (coincidências significativas) ou leitura de “sinais”, unindo-os a um trabalho corporal.

O Teatro da Consciência não alterará isso até porque quando se fala de “Arquétipo” e de “Personagem” está se falando rigorosamente da mesma coisa, porém com uma sutil diferença: um personagem pode evoluir dentro de uma trama e alterar sua trajetória, ou seja, pela Presença e entrega do ator ao seu personagem, este pode evoluir e deixar sua orientação inicial por uma totalmente nova, passando muitas vezes de vilão a herói.

 

O que é um arquétipo?

Jung chamou de “Arquétipo” um conjunto de “imagens primordiais” originadas de uma repetição progressiva de uma mesma experiência durante muitas gerações, que foram armazenadas no inconsciente coletivo.

De forma simplificada, os arquétipos podem ser definidos como “tipos psicológicos” e todo (tipo psicológico). Até certo ponto, é uma “máscara”, um fundo falso que oculta a essência humana. Doenças repetitivas ou prolongadas (dentro dessa visão terapêutica) são recriações de uma “sobrecarga” que se pode entender como traumas e conflitos não solucionados dentro da estrutura (corpo-mente-emoção). Certas “dores” ou problemas crônicos podem fazer parte do repertório do Arquétipo ou Personagem com o qual o indivíduo está identificado e que o compele a recriar ou reatuar seus traumas de tempos em tempos. É importante citar que um trauma individual irá se unir a todos os demais traumas da humanidade criando, assim, um “corpo traumático coletivo”, e este se manifestará de acordo com certas predisposições culturais das famílias, países, continentes, etc., assim como seus respectivos dogmas, religiões, sistema político, etc.

 

O que é um personagem?

A palavra personagem etimologicamente é uma derivação da palavra grega “persona” que significava máscara e de onde também deriva a palavra personalidade. Um personagem de fato é uma representação artística e fictícia de toda a humanidade, seus objetos circunstâncias e conflitos. Todos os personagens são criados com o objetivo de despertar uma profunda identificação com eles pelo público e, assim sendo, todo personagem terá consigo a marca de todas as histórias da humanidade junto consigo, caso contrário as artes cênicas não alcançariam seu objetivo principal. Esse é o motivo pelo qual o cinema, o teatro e a televisão encantam a população mundial.

Como diz Eric Bentley em “The Life of Drama”: O personagem é só uma ideia: a ideia de que o Homem tem de si mesmo (ou que um autor tem sobre o Homem).

 

Qual é a relação entre Arquétipo e Personagem?

A primeira está na raiz etimológica (persona) que significa tanto personagem como personalidade, sendo que personalidade per se é um arquétipo.

Um Arquétipo é um Personagem no sentido de revelar estereótipos que pertencem a todas as culturas de todos os tempos, e o Personagem é um Arquétipo por se tratar da expressão lúdica de todos os Dramas da Humanidade com os quais as pessoas se identificam. É por isso que o cinema, o teatro, a televisão e as histórias dos grandes best-sellers mexem tanto com a “grande massa” – pois estão cheias de símbolos e expressões que representam em total primazia a memória coletiva por revelarem as tramas e os conflitos que se repetem na vida de todos os seres humanos. Os mitos cinematográficos ficaram eternizados por tocarem no elo mais genuíno de todos nós: a empatia, ou seja, todo “o conjunto de imagens primordiais” citado por Jung, nada mais é do que a grande condensação da problemática humana e seus conflitos e dores existenciais. Todos esses Enredos, por terem ficado sem solução, impediram nossa evolução e (como consequência) se perpetuaram, transformando-se em personagens padronizados da coletividade – que a expressão artística nos apresenta de forma a nos mobilizar e encantar.

 

Qual o sentindo para existência destes Modelos Humanos?

Eles são como uma bússola que podem nos auxiliar em nosso caminho evolutivo. Pode-se dizer que atuam como verdadeiros guias que abrem nossa visão para as grandes e intrincadas “ciladas da vida” que de certa forma são previsíveis, por isso podem ser mapeadas. Quando estudamos um arquétipo, mergulhamos em seus significados, ganhamos um impulso para ir além das fronteiras de uma mente condicionada ou traumatizada.

O mesmo acontece quando nos identificamos com um personagem do cinema, ele mexe com nossa imaginação, mobiliza nossa emoção e nos faz parar para refletir. Isso nos possibilita abrir a mente.

 

A sutil diferença entre Personagem e Arquétipo

Um personagem é um modelo condicionado ao que o “seu roteiro” apresenta. Assim como o arquétipo, ele tem que fazer o que está “definido em seu roteiro”, ele não tem voz ativa sobre si próprio. Entretanto, ao se tratar de uma abordagem terapêutica, é importante destacar que, via de regra, segundo a teoria Junguiana, um arquétipo não é alterável, ele é praticamente um patrimônio psíquico fixo da humanidade. Felizmente, o próprio Jung enfatizou que nossa “entrada no paraíso” não está descartada, desde busquemos pelo o que ele define como Individuação, que pode ser compreendida como uma verdadeira jornada rumo à Realização do Self ou iluminação.

Nas artes dramáticas, algo similar ocorre com um personagem quando ele ganha Vida ao ser interpretado pelo ator. Dentro da trama, o ator tem a capacidade de conduzir seu personagem a uma verdadeira evolução, que pode impulsioná-lo a uma total mudança de paradigma, uma vida nova. Esse é o motivo pelo qual em muitas telenovelas, filmes e peças de teatro um personagem inicialmente começa a trama como Vilão e termina como Herói.

Os estudos de mitologia oferecem inúmeros “Modelos Arquetípicos” – que nada mais são do que “Personagens Vívidos”–, cujas características comuns atravessaram os tempos, permanecem vivas em todos nós até hoje e fazem parte da grande matrix universal à qual pertencemos.

Em suma, essa abordagem terapêutica entende que o que motivou o surgimento desses “Padrões” (sejam eles definidos como Arquétipos ou Personagens) foi a necessidade que nossa raça teve (mesmo que inconscientemente) de explicar, de forma simplificada, como os seres humanos vivenciam e rotulam suas experiências, atribuindo-lhes valores distintos a partir de suas predisposições genéticas, culturais, etc.

Nosso desafio, ou meta superior, é alcançar uma verdadeira união como raça humana, e não ficarmos presos, infelizes e segregados por estereótipos ou jargões culturais limitantes. Somos multifacetados e diferentes uns dos outros, mas ao mesmo tempo, somos absolutamente iguais em essência. Podemos, sim, mudar o rumo da história, bastando apenas “despertar” para isso.

 

O que é o Teatro da Consciência?

O Teatro da Consciência é uma abordagem terapêutica que une educação somática (e seus símbolos), ferramentas utilizadas nas Artes Cênicas e princípios da (Não Dualidade). Quando o corpo é educado e apoiado a se expressar de forma coerente ao seu próprio ritmo, permitirá que certas “necessidades” se revelem sem reservas, e essa (revelação) fisiológica abre a porta para uma verdadeira solução no corpo, trazendo um grande alívio ao absolvê-lo da dor, criada por um “Copo Cheio de Estresse”; entretanto, quando esse copo é “esvaziado”, permite que água nova e fresca o preencha novamente. Esse processo visa libertar a energia traumática (residual) reprimida, acumulada e somatizada no organismo, dando chances para que ele não “reatue” por meio de sintomas, problemas e incidentes repetitivos. Todo trauma, no entanto, guarda elementos de conflito e dualidade de forma intensa e estressante dentro do corpo. Quando o corpo é liberado (do conflito traumático), “voltará para casa” e encontrará a homeostasia e a felicidade novamente. Quando a mente entra em concordância com a realidade, dores e conflitos dissipam-se.

A maioria das projeções mentais é um produto direto de uma “sinfonia sincronizada” a memórias traumáticas. Essas memórias podem ficar incubadas por (muito tempo) até se manifestarem, porém quando “acordam” iniciam uma maratona de reações que podem criar uma lista infindável de sintomas, dores, disfunções, etc.

O Teatro da Consciência investiga a mente e auxilia o corpo a se desidentificar dos padrões traumáticos fixados.

Os principais e mais difíceis sintomas que afligem a população são criados por esse “aglomerado estressor não examinado”.

É aqui que a palavra Consciência entra como protagonista. Ao se unir consciência e corpo, cria-se uma conexão que produz poderosos resultados nas camadas mais profundas do “sistema corpo-mente” e que por si só é capaz de diluir os sintomas crônicos mais resistentes.

Todos nós como grandes atores do grande Teatro da Vida precisamos da consciência aliada ao corpo para alcançar uma cura efetiva.

É importante ressaltar que a palavra Consciência aqui está inserida como sinônimo de Sabedoria e Presença não representando simplesmente um conhecimento intelectualizado.

Somente com uma Visão Consciente e pela Experiência Direta, uma pessoa será capaz de realizar um profundo saber fisiológico, que poderá livrá-la de suas dores.

Um Arquétipo é um Personagem no sentido de revelar estereótipos que pertencem a todas as culturas de todos os tempos, e o Personagem é um Arquétipo por se tratar da expressão lúdica de todos os Dramas da Humanidade com os quais as pessoas se identificam. É por isso que o cinema, o teatro, a televisão e as histórias dos grandes best-sellers mexem tanto com a “grande massa” – pois estão cheias de símbolos e expressões que representam em total primazia a memória coletiva por revelarem as tramas e os conflitos que se repetem na vida de todos os seres humanos.

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